V Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades

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Lançamento de livros e revistas

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Para o lançamento de livros e revistas, a inscrição dar-se-á através de solicitações dos associados ao 5º CONINTER para o e-mail coninter2016@gmail.com até 08 de novembro de 2016.

No e-mail deverão constar as seguintes informações:

Título da obra

Nome dos autores/organizadores/editores

Instituição e programa ao qual está vinculada

Sinopse e imagem da capa (.jpg) da obra ( para efeito de divulgação)

O valor a ser cobrado pelo exemplar.

Livros em lançamento

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POLÍTICA CULTURAL E DESENTENDIMENTO

Alexandre Barbalho(*)

            A cultura sempre foi o lugar da norma, da regra. A vasta tradição de pesquisas e elaborações teóricas das ciências humanas, em especial da antropologia, e da filosofia fundamenta tal afirmação. Contudo, é esse mesmo estabelecido corpus de conhecimento que informa como a cultura também é o lugar da crítica, do desregramento.

            Esse formato bifronte da cultura, essa sua tensão constituinte impõe ao socius uma lógica processual e múltipla que resulta nas diferenças diacrônicas e sincrônicas entre os mais variados tipos de agrupamentos humanos. Tal tensão pode receber diversas leituras. Para um pensamento conservador, por exemplo, quando a cultura afirma a coesão ela se denomina de civilização. Quando, ao contrário, ela dá vazão à contestação, se manifesta como barbárie.

            Prefiro entender essa tensão como uma relação agonística, uma disputa cujo sentido final é adiado infinitamente. Contudo, e essa é a tese que motiva esse ensaio, observo que nesse jogo, o adversário que está há bastante tempo em situação de defesa, quase acuado e pedindo desculpas por ainda permanecer na disputa, é a cultura como exercício crítico.  Isso porque a cultura tem se colocado hegemonicamente no mundo contemporâneo a partir dos paradigmas do econômico e do social, ou melhor, da geração de renda e de inclusão social, paradigmas que longe de se excluírem, são, no caso cultural, interdependentes.

            O que eu defendo, neste ensaio, é que estes dois paradigmas são os principais responsáveis pela perda de potência crítica da cultura. Um, por submetê-la à lógica do mercado e do consumo. O outro, por gerenciá-la na lógica da biopolítica. Mais uma vez afirmo, estes processos são íntimos entre si. É deles que trato nas duas primeiras partes.

            Tal contexto coloca desafios fundamentais para a elaboração das políticas culturais. Como pensá-las e executá-las no âmbito da democracia, sem necessariamente ter que optar pela lógica do individualismo liberal ou pela lógica identitária dos comunitaristas? Discuto essa problemática nas partes três, quatro e cinco.

            Por fim, apresento uma possível linha de fuga a essa crise da cultura e de suas políticas. Para tanto, recorro ao pensamento de Jacques Rancière, mais especificamente àquele desenvolvido em sua obra intitulada O desentendimento.

            Acredito que entender e vivenciar a cultura e suas políticas como desentendimento é voltar a colocar sua perspectiva crítica na centralidade desse processo. É a cultura voltando a causar embaraços, escândalos, problemas. E se referindo às formas de constituição do comum.

(*)Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA é professor dos PPGs em Políticas Públicas da UECE e em Comunicação da UFC. É autor e organizador de diversas obras, entre as quais: Relações entre Estado e cultura no Brasil (Unijuí, 1998); A modernização da cultura (UFC, 2005); A criação está no ar: Juventudes, política, cultura e mídia (UECE, 2013); Brasil, brasis: Identidades, cultura e mídia (Fund. Demócrito Rocha, 2008) Comunicação e cultura das minorias (coorganizado com Raquel Paiva – Paulus, 2005); Políticas Culturais no Brasil (coorganizado com Albino Rubim – UFBA, 2007); Comunicacão para a cidadania: Questões teóricas e metodológicas (coorganizado com Bruno Fuser e Denise Cogo – Intercom, 2010), e Federalismo e políticas culturais no Brasil (coorganizado com Lia Calabre e José Márcio Barros – UFBA, 2013). Vice coordenador do Gt Comunicacão e cidadania da COMPÓS. Líder do Grupo de Pesquisa Políticas de Cultura e de Comunicação (CULT.COM).

 

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Programa Cultura Viva: impactos e transformações sociais. Hugo Leonardo Ribeiro e Mario Lima Brasil (org.). UnB, Brasília, 2016.

 

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Políticas Culturais, desenvolvimento e construção democrática. Maria de Fátima Rodrigues Makiuchi (org.). UnB, Brasília, 2016.

Com 180 páginas, a coletânea traz oito artigos sobre o papel da cultura na relação entre desenvolvimento e democracia.

O primeiro artigo, “O Observatório de Políticas Públicas Culturais e a Pesquisa em Política Cultural no Brasil”, assinado por Fátima, pretende apresentar o levantamento do estado da arte das pesquisas em política cultural no país, identificando os programas de pós-graduação e grupos de pesquisa voltados à temática da política cultural.

A relação entre desenvolvimento e cultura são o eixo comum dos dois artigos seguintes: “Politicas Culturais, Democracia e Desenvolvimento”, de Leandro Grass, e “Cultura, Cidadania e Desenvolvimento: uma abordagem transversal”, de Bruno Henrique Melo. No primeiro deles, o autor parte de uma revisão teórica para propor a problematização acerca do significado de cultura e os efeitos de sua ampliação no campo da gestão e das políticas públicas. Já Bruno Melo apresenta um ensaio teórico sobre os desafios contemporâneos envolvendo cultura, desenvolvimento e cidadania à luz dos debates da teoria social sobre a modernidade tardia e diferentes abordagens sobre desenvolvimento e pós-desenvolvimento na América do Sul.

No quarto artigo, “Percurso Metodológico da Pesquisa em Políticas Públicas Culturais”, de Wallace Wagner Rodrigues Pantoja, Edilene Américo da Silva e Fátima Makiuchi apresentam os caminhos da pesquisa sobre equipamentos e programas culturais na Área Metropolitana de Brasília em um sentido processual, evidenciando acertos, erros e recomeços. No texto seguinte, “Cultura dos/nos Territórios: ensaiando a politização de um debate”, Fátima e Wallace discutem os programas Mais Cultura nas Escolas e os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) sob a perspectiva do uso do conceito de território no discurso oficial sobre estes programas.

Em “O Financiamento Público da Cultura do Distrito Federal: um olhar para os planos plurianuais 2012-2015 e 2016-2019”, Cleide Vilela descreve o cenário institucional da política pública de cultura do Distrito Federal e analisa os programas Cultura (2012-2015) e Capital Cultural (2016-2019). No artigo seguinte, “Democracia Digital e Ação Pública: experiências de participação social em rede nas politicas de cultura do DF”, Mayara Souza dos Reis discute a participação social em políticas públicas a partir das perspectivas e desafios da chamada democracia digital ou e-democracy.

Encerrando a coletânea, o ensaio “A Estreita Relação entre Tecnologia e Produção Cultural: aspectos sociais da tecnologia, ampliação de capacidades e ressignificação de interações na cultura”, de Leandro de Carvalho, discute os aspectos sociais da tecnologia relacionados à apropriação e à difusão de cultura. Além de apresentar os principais autores que tratam do tema, Carvalho defende que a tecnologia seja pensada para além do aspecto monetário ou produtivo na discussão sobre o desenvolvimento, incluindo as motivações culturais e políticas de sua apropriação e as consequências estruturais que pode acarretar.

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